
Esterilidade – Diagnóstico
Esterilidade é, por definição, a não ocorrência de gravidez decorrido pelo menos um ano de relações sexuais desprotegidas.
Os estudos epidemiológicos demonstram que 15% dos casais em idade reprodutiva têm problemas de fertilidade. Alguns casos são resolvidos espontaneamente, outros podem necessitar de intervenção médica, cirúrgica ou mesmo do recurso a uma Técnica de Procriação Medicamente Assistida (PMA).
Diagnóstico da esterilidade
Existem uma série de exames destinados a avaliar a(s) causa(s) esterilidade. Cada um exame avalia diversos factores, podendo estar indicados diferentes exames para cada caso específico.
O estudo básico de esterilidade inclui:
1. Análises hormonais
O doseamento de certas hormonas no sangue permite avaliar o funcionamento dos ovários, assim como de outras glândulas que influenciam o funcionamento dos mesmos.
Os resultados destes exames são úteis como diagnóstico, mas também para orientar a escolha do tratamento de indução ou estimulação da ovulação mais adequado a cada caso.
2. Registo da temperatura basal
A temperatura corporal varia de acordo com as diferentes fases do ciclo ovulatório. Deve ser medida em repouso e aumenta após a ovulação.
O registo da temperatura ao longo de 2-3 meses permite-nos avaliar se ocorre ou não ovulação, assim como a qualidade da mesma.
3. Ecografia ginecológica
A ecografia ginecológica permite a avaliação morfológica e fisiológica do útero e dos ovários. Realizada em diferentes fases do ciclo, permite-nos avaliar diferentes aspectos funcionais. Permite o diagnóstico de patologia utero-anexiaL (miomas, pólipos, quistos, hidrossalpinges, etc).
4. Histerossalpingografia (HSG)
A HSG é um exame radiológico que, mediante a introdução de um produto de contraste através do colo do útero, permite avaliar fundamentalmente a cavidade uterina e a permeabilidade das trompas.
5. Histerossonossalpingografia (HSSG)
é uma ecografia endovaginal em que se introduz líquido na cavidade uterina, que vai permitir uma avaliação mais pormenorizada da mesma. é utilizada quando se suspeita de patologia intra-cavitária, em alternativa à realização de uma histeroscopia.
Outra indicação deste exame é a avaliação da permeabilidade das trompas, em pacientes alérgicas ao iodo, nas quais está contra-indicada a realização de uma HSG.
6. Histeroscopia (HSC)
é um exame simples que consiste na introdução de uma fibra óptica através do canal cervical permitindo a observação do interior útero sendo possível realizar pequenas cirurgias, como biópsias do endométrio, exérese de pequenos pólipos ou libertação de aderências.
7. Teste pós-coital (teste de Hühner)
O teste pós-coital permite avaliar as características do muco cervical, assim como a quantidade e mobilidade dos espermatozóides em contacto com o mesmo.
Este teste deve ser realizado na fase pré-ovulatória (10-14º dia do ciclo), pois o muco é então mais abundante e de melhor qualidade para transportar os espermatozóides.
8. Espermograma
O espermograma é a análise microscópica e bioquímica do esperma, que permite avaliar a concentração, a mobilidade e a morfologia dos espermatozóides.
9. Biópsia do endométrio
O endométrio é a mucosa que reveste internamente o útero e onde vai ocorre a nidação do embrião.
A realização deste exame permite analisar as características da mucosa, relacionando-as com a fase do ciclo menstrual, assim como detectar uma eventual infecção.
10. Cateterismo uterino
O cateterismo uterino consiste na introdução um catéter na cavidade uterina, através do colo do útero. Com este gesto pretende-se garantir a possibilidade de transferência embrionária num ciclo FIV ou ICSI, com o mínimo de traumatismo.
11. Celioscopia Diagnóstica
Esta intervenção laparoscópica é realizada no bloco operatório e sob anestesia geral. Permite uma visualização e caracterização directas dos órgãos genitais femininos, assim como identificação de patologias que possam prejudicar o normal processo de fecundação: é o caso de aderências entre os órgãos pélvicos, lesões de endometriose, ou outras.
Uma celioscopia, quando efectuada no contexto do estudo da esterilidade, é complementada com a realização de uma prova de cromotubação tubar em que é introduzido um líquido corante através do colo uterino, com o objectivo de confirmar, através de visualização directa, a permeabilidade das trompas.
Através da celioscopia, poderão também ser realizados alguns actos terapêuticos: libertação de aderências pélvicas, destruição de focos de endometriose, exérese de quistos do ovário ou de pequenos miomas.
12. Fluxometria Doppler
A utilização do efeito Doppler, de cor ou em fluxometria, consiste numa exploração complementar à ecografia ginecológica convencional, que permite avaliar a vascularização do útero e ovários. Esta informação pode ser importante para o estudo funcional destes órgãos, mas também para a caracterização de alguns achados patológicos, como é o caso dos quistos do ovário e varizes pélvicas.
Os ecógrafos da Clinimer têm todos esta função, que poderá ser utilizada sempre que necessário.
13. Estudos genéticos
As alterações a nível genético podem ser causa de esterilidade ou de infertilidade, pelo que deverão ser investigadas quando existam antecedentes que justifiquem a sua realização.
14. Estudo andrológico
Quando os resultados do espermograma manifestam alterações moderadas a graves, é fundamental que o membro masculino do casal seja avaliado numa Consulta de Andrologia, no sentido de pesquisar e, sempre que possível, tratar a causa dessas alterações.
15. Biópsia testicular
A avaliação andrológica pode ter necessidade de incluir a realização de uma biópsia testicular, exame que serve para avaliar o processo da espermatogénese ou produção de espermatozóides, mediante a extracção de uma amostra de tecido do testículo. Este exame está indicado principalmente nos casos de azoospermia, ou seja, ausência de espermatozoides no esperma ejaculado e permite fazer o diagnóstico diferencial entre causas excretoras (obstrutivas) e secretoras (não-obstrutivas).
A presença de espermatozóides no testículo pode permitir a sua utilização em ciclo ICSI.