
Clínica de Reprodução do Centro - CLINIMER
A esterilidade masculina
Anatomia e Fisiologia do Aparelho Reprodutor Masculino
As células reprodutoras masculinas - os espermatozóides- são produzidos nos testículos, através de um processo que é controlado por hormonas e que demora cerca de 70 dias.
Os espermatozóides são constituídos por cabeça (onde se encontra o núcleo celular que contém 23 cromossomas), porção intermédia (onde se produz a energia) e por cauda que permite os seus movimentos.
Os espermatozóides saem do testículo por canais que constituem a via seminal e que têm início no epidídimo. Continuam pelos vasos deferentes, seguindo pelos canais ejaculadores que atravessam a próstata e terminam na uretra.
Durante a ejaculação, os espermatozóides vão juntar-se às secreções procedentes das vesículas seminais e da próstata, que são úteis para a sua sobrevivência e progressão, constituindo o esperma.
Esterilidade Masculina
A capacidade reprodutora do homem depende de uma função sexual (erecção e ejaculação) e uma função espermatogénica (formação de espermatozóides) normais. A fertilidade masculina pode sofrer alterações quer por diminuição da quantidade e/ou qualidade dos espermatozóides, quer pela impossibilidade mecânica de depositar o esperma no fundo da vagina durante o coito (impotência eréctil, ausência de ejaculação).
Aproximadamente 15-30% dos casais em idade reprodutora são estéreis.
Num casal estéril, a causa da esterilidade é masculina em cerca de 40% dos casos, feminina noutros 40% e mista, nos restantes 20%.
Estudo do factor masculino
Se um casal com actividade sexual regular que não utiliza qualquer método contraceptivo, não consegue conceber ao fim de um ano, justifica-se iniciar estudos de esterilidade em ambos os membros do casal.
Espermograma
Para avaliar o factor masculino está sempre incluída uma análise do esperma para determinar a quantidade de espermatozóides (concentração), assim como a qualidade do respectivo movimento (mobilidade) e da forma (morfologia) dos mesmos. Aceita-se como normal a presença de mais de 20 milhões de espermatozóides por mililitro de esperma, com um mínimo de 50% de formas móveis e progressivas, e pelo menos 30% das formas estruturalmente normais.
Um resultado anormal pode evidenciar diversas alterações :
| Azoospermia: | Ausência de espermatozóides. |
| Oligozoospermia: | Diminuição da quantidade de espermatozóides. |
| Astenozoospermia: | Diminuição da mobilidade. |
| Teratozoospermia: | Diminuição das formas normais. |
| Necrozoospermia: | Diminuição das formas vivas. |
Um resultado alterado nunca é conclusivo para o diagnóstico, sendo necessário a sua confirmação num segundo exame.
Caso se confirme o diagnóstico de esterilidade de causa masculina é conveniente a observação do marido em consulta de Urologia / Andrologia.
Consulta de Andrologia
O andrologista é um médico urologista que estuda os transtornos masculinos que podem influenciar o problema da esterilidade (alterações seminais, disfunções sexuais).
Mediante a realização de uma história clínica completa e de uma exploração física, orientadas para a procura de antecedentes e de sequelas patológicas que tenham podido afectar os testículos ou as vias seminais, estabelece-se em cada caso um diagnóstico e um prognóstico de fertilidade, assim como um tratamento (médico, cirúrgico ou através de técnicas de reprodução assistida).
Em alguns casos pode ser necessário ampliar o estudo realizando outros exames:
Culturas de Esperma
Através da análise microbiológica do esperma estuda-se ou descarta-se a hipótese de qualquer infecção seminal.
Análises Hormonais
Consistem na determinação no sangue das hormonas que controlam o funcionamento testicular.
Biópsia Testicular
Permite estudar o processo de formação dos espermatozóides (espermatogénese) e das suas possíveis alterações, mediante a extracção de uma pequena amostra de tecido do testículo. é realizado em regime de ambulatório com anestesia local.
Estudos Genéticos
Em alguns casos mais complexos de factor masculino , devem ser realizados estudos cromossómicos no sangue (Cariótipo). Em casos seleccionados pode ser necessário realizar o estudo dos cromossomas nos espermatozóides ou estudos de genética molecular (por exemplo, microdelecções do cromossoma Y, mutações do gene da fibrose quística).
Os estudos genéticos são uma área actualmente em constante investigação.
Tratamento da esterilidade masculina
Uma vez concluído o estudo andrológico, é estabelecido um possível tratamento em função da causa.
Tratamentos médicos
Em alguns casos de diminuição da produção testicular de espermatozóides, podem ser realizados tratamentos hormonais.
Em caso de suspeita de infecção seminal, devem realizar-se tratamentos antibióticos.
Em doentes com patologia oncológica que tenham necessidade de realizar tratamentos de radioterapia ou de quimioterapia deverá ser preconizada a congelação do esperma, antes desses tratamentos.
Cirurgia Andrológica
Nos casos em que existe obstrução (pós-infecciosa, por laquação dos deferentes -vasectomia), ausência congénita de parte da via seminal ou ausência de ejaculação (lesões medulares), é possível a aspiração de espermatozóides testiculares (TESA), para serem utilizados numa fecundação “in vitro”. Em alguns casos de obstrução da via seminal, pode tentar-se a sua reparação, unindo os os extremos saudáveis mediante microcirurgia.
Se existir varicocelo (varizes das veias espermáticas) pode haver indicação para esclerose ou laqueação cirúrgica da veia espermática.
Técnicas de Reprodução Assistida
Quando não é possível efectuar um tratamento específico e se após a preparação do esperma no laboratório existir um número suficiente de espermatozóides de boa qualidade, deve considerar-se a possibilidade de realizar técnicas de reprodução assistida: inseminação artificial intra-uterina conjugal (IAC), fecundação “in vitro” (FIV) ou microinjecção intracitoplamática de espermatozoides (ICSI).
Quando tal não seja possível, a única alternativa médica será recorrer a uma inseminação artificial com esperma de dador anónimo (IAD).